É importante chorar

             

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“Chorar é para mocinhas”. “Homem não chora”. “Ah, a menininha está chorando?”. “As pessoas fortes não choram”. “Engole o choro!”

Estas são algumas coisas que você já deve ter ouvido quando falamos em chorar.

Algumas pessoas, infelizmente, pensam que chorar é um sinal de fraqueza, mas, o que elas não sabem é que chorar alivia tensões, diminui o sentimento de tristeza, produz relaxamento, amplia a percepção para encarar os problemas, dentre outras diversas vantagens. 

Vários estudos têm mostrado que as pessoas deprimidas são as que menos choram, ou seja, elas não conseguem se expressar completamente, e isso se reflete no choro também, além de outros sintomas.

Geralmente as lágrimas vêem quando não temos mais a  capacidade de suportar, tanto a tristeza, quanto a felicidade, e, acabamos “derramando-nos”. Como se fosse um balde cheio… quando não podemos transbordar para onde vai toda a emoção reprimida?

Esta ideia de que chorar é proibido, ou é um reflexo de nossa fraqueza, é algo imposto pela nossa cultura. Isso vai completamente contra nossa natureza, pois, se não fosse assim não teríamos a NECESSIDADE de chorar.

Esta necessidade é tão importante quanto as demais, como comer, dormir, fazer sexo ou nos relacionarmos.  Isso nos diz que nosso organismo PRECISA de algo, no caso, “esvaziar o balde que está cheio”, não importa se é de alegria, tristeza, angústia, medo, ou, qualquer outra emoção.

É preciso, e é muito importante que nos permitamos chorar e sentir nossas emoções na forma em que elas acontecem. Todos sentem, sofrem, explodem de alegria… Negar isso, é negar nossa humanidade.

As lágrimas são parte de nós. Elas reequilibram nossas emoções e nos trazem alívio.

Você já chorou e sentiu que seu “balde foi esvaziado” e que aquela sensação diminuiu?

Quando nos impedimos de chorar o que está acumulado sai de outra forma, seja através de uma dor de cabeça, dor no corpo, dor de garganta, dor de barriga, explosões de raiva e agressividade, e de formas variadas, de acordo com a pessoa e a situação. 

Chore! Chorar é MUITO importante.

Sente dificuldade em lidar com as suas emoções?
Vamos conversar? 

Metamorfose

   

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A metamorfose da borboleta se dá em diversas fases: a fêmea coloca o ovo, o macho o fertiliza, a lagarta nasce, e, fica imóvel no que se chama de crisálida.

Depois de um tempo em silêncio, sem se alimentar, sem se mover, ela renasce em um novo formato, em algo que nunca foi, em um animal encantador.
Se um ser tivesse que ter crise de identidade este seria a borboleta, não?

Ovo – Lagarta – Crisálida – Borboleta… Quem ela é de verdade?
Será este um processo fácil? Indolor? Sem conflitos no caminho?

Esta é uma metáfora que, particularmente, me agrada muito, pois também penso na transformação de nossas emoções, de nossa mente, hábitos, pensamentos e ações …

Assim como o ovo, nascemos limpos de qualquer influência. Mas são estas mesmas influências que nos constituem como lagartas, a princípio.

As situações que nos são impostas pelas vidas, talvez nos transforme em crisálidas também. Mas ao final, serão nossas decisões que nos transformarão em borboletas.

Podemos ser belas, exuberantes, e poderosas. Ou fracas, feias, e inibidas.
Podemos também nem escolher passar por este processo, culpando sempre as situações que não estão ao nosso alcance, e, assim responsabilizar o que temos vivido ou sofrido.

A psicologia é muito importante neste processo de metamorfose. Muitas vezes ainda somos lagartas querendo nos transformar, mas não conseguimos.

Toda transformação é incômoda, dolorosa, algumas vezes demorada, mas sempre linda, gratificante, emocionante e extremamente realizadora, além de muito importante.

Na metamorfose humana, muitas vezes precisamos do auxílio externo para alcançar quem queremos ser e, fazer de nossas vidas o que sonhamos.

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.” – Rubem Alves

Querendo ser uma borboleta? Vamos conversar? 

Meu Amigo Imaginário

             

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Você já se perguntou por que aquela criança fala sozinha e brinca como se alguém estivesse com ela naquele momento? Ou talvez tenha se perguntado onde foi parar o seu amigo imaginário, depois que você cresceu?

Pois é, o amigo imaginário, ou invisível, existe. Existe para o mundo encantador das crianças e tem uma função muito importante para o desenvolvimento infantil.

Quando uma criança começa a brincar com alguém que não existe ou falar com algum boneco como se este estivesse ouvindo, estamos presenciando o relacionamento da criança com o amigo invisível. Isto é completamente normal por volta dos 2 aos 6 anos de idade, porque as crianças vivem num mundo quase paralelo ao nosso, cheio de imaginação, criatividade, fadas, duendes, animais inventados, etc.

 Quando a criança começa a brincar com este ser “mágico”, ela se sente segura, protegida e “dona da situação”, já que tudo o que for definido por ela é amplamente aceito por seu amigo, pois, ele não tenta pegar o seu brinquedo, não propõe outra brincadeira e outras coisas que geralmente frustram as crianças quando interagem com outros. Ela se sente muito especial.

Muitos pais ficam preocupados achando que seus filhos estão doentes e que algo precisa ser feito. Sim, algo precisa ser feito. É necessário que os pais “entrem na dança”, que respeitem na medida do possível o lugar onde o amigo está sentado à mesa, que não diga para a criança que ela é maluca, doida, ou que isso não existe. É preciso que os pais aceitem a existência do amigo imaginário, guardadas as devidas proporções, não é preciso que aceitem suas chantagens, por exemplo.

O amigo pode surgir como instrumento para que a criança consiga lidar com situações estressantes, como a perda ou mudança de um amiguinho, mudança de casa, início em uma escolinha ou creche, divórcio dos pais, entre outros. Este amigo também ajuda a criança a lidar com o medo, como medo do escuro, da solidão, de abandono, de barulhos estranhos, ou de suas outras imaginações.

A maioria das crianças lida de maneira sensata com estas imaginações, mesmo que defenda a existência do amigo imaginário. Elas não chorarão perdidamente de saudade do amigo se o esquecerem no parque, por exemplo, simplesmente elas em alguns minutos esquecerão este fato e o trarão magicamente para casa de novo.

Para os pais e mães que estão presenciando esta situação em casa, seguem algumas dicas:

     * Ajam com naturalidade ao saberem sobre o amigo imaginário e demonstrem interesse, pode ser através de perguntas ou lembrando sobre ele em outro dia;

     * É possível que as crianças tragam para a cena o amigo imaginário também quando sentirem raiva ou estejam sob muito estresse, procurem aceitar que a criança buscou conforto no amigo, mantenham a calma e liderem a resolução da situação perturbadora;

     * É possível valer-se das interações com o amigo imaginário para orientar a criança sobre o que deve ser feito em cada local, como ela e o amigo devem se comportar. Se por exemplo a criança é muito tímida, pode ser dito que o amigo irá estar com ela e não precisará temer.

     * Apesar da criança estar sempre “acompanhada” incentive as brincadeiras com outras crianças desde cedo, isso irá ajudar seu filho a viver experiências que irão se somando para que ele tenha facilidade em se comunicar com outras pessoas.

     * Deixe a criança com autonomia para brincar em alguns momentos, ela pode inventar o roteiro e mudar de ideia, afinal, parte de todo o repertório de comportamentos se estabelece por tentativa e erro.

Este artigo também foi publicado aqui.

Querendo lidar melhor com questões sobre seus filhos? Vamos conversar?